Qual o futuro do livro impresso?
- Jéssica Britz
- há 5 horas
- 3 min de leitura
Juremir Machado (2012), em A Sociedade Midiocre, observa que tudo aquilo que antes precisava ser armazenado e transmitido pela escrita hoje já pode ser feito por meio da imagem e do som. Assim, a escrita chega ao fim de seu longo reinado como principal forma de expressão, arquivo e extensão da mente humana.

Vivemos na sociedade do imediatismo e do hiperespetáculo, em um contexto que Bauman (2001) descreve como Sociedade Líquida: um mundo em que nada é sólido ou duradouro, onde relações, conhecimentos e instituições tornam-se frágeis, fluidos e transitórios. Nesse cenário, a escrita entra em decadência não por ausência, mas por excesso e banalização, reduzida a anotações marginais diante da supremacia da imagem.
Em um futuro próximo, a leitura e a escrita poderão deixar de ser necessárias, cedendo espaço a um novo funcionamento do cérebro, baseado em saltos, descontinuidades e sínteses, ao invés da linearidade discursiva.
Para Juremir, a pós-história representa justamente esse movimento: um retorno à pré-história, onde a oralidade, a imagem e a narrativa retomam seu lugar como formas supremas de comunicação e vínculo social, impulsionadas agora pela aceleração científica e tecnológica das redes digitais.
Por outro lado, em Não contem com o fim do livro, Umberto Eco e Jean‑Claude Carrière (2010) defendem que, apesar das transformações tecnológicas, o livro impresso resiste como suporte insubstituível de preservação do conhecimento, justamente por sua materialidade, portabilidade e permanência no tempo.
Eco lembra que nenhum outro suporte garante tão bem a transmissão de ideias ao longo de séculos, sem depender de aparelhos ou formatos digitais sujeitos à obsolescência.
Nessa mesma linha, Robert Darnton (2010), em A questão dos livros, enfatiza que o papel continua sendo a forma mais segura de guardar e transmitir saberes, pois os arquivos digitais correm o risco de se perder com a fragilidade das tecnologias. Para ele, o livro impresso permanece como um arquivo duradouro da memória humana, capaz de atravessar gerações.
Além disso, o fenômeno #BookTok, comunidade literária vibrante no TikTok, vem reafirmar a vitalidade do livro impresso. Estima-se que a hashtag tenha acumulado mais de 175 bilhões de visualizações globalmente TikTok+15BookBub Partners Blog+15Reddit+15.
Essa visibilidade não só impulsiona a redescoberta de títulos antigos, como também influencia significantemente vendas, afiando o impacto cultural do formato físico no contexto digital.
Entre os perfis ativos no TikTok que fortalecem esse movimento, destacam-se:
@jack_edwards: YouTuber e autor com mais de 1 milhão de seguidores no YouTube e forte presença no TikTok, compartilha resenhas e recomendações de leitura Wikipedia.
Mychal Threets: bibliotecário viral nos Estados Unidos, conhecido por vídeos emocionantes sobre livros, biblioteca e cuidado com o leitor TikTok+4Wikipedia+4TikTok+4.
Esses criadores conectam o livro impresso à cultura digital, mostrando que o suporte físico ainda inspira e encontra novos públicos.
Diante disso, percebe-se um embate de visões: de um lado, a crítica de Juremir, que vê na sociedade do espetáculo e da liquidez o prenúncio do fim da escrita e da leitura como as conhecemos; de outro, Eco, Carrière, Darnton e o pulsar cultural do #BookTok — evidências de que o livro impresso continua vivo, adaptando-se como objeto afetivo e preservador. Mais do que escolher entre o “fim” ou a “permanência” do livro, talvez o desafio contemporâneo seja compreender como a escrita e a leitura se transformam em diálogo com novos meios — sem perder sua relevância como memória, cultura e ponte para o pensamento crítico.
Agora, reflita você também: qual é a sua conclusão?
O livro impresso está fadado ao desaparecimento ou ainda tem futuro brilhante pela frente?
Referências
BAUMAN, Zygmunt. Modernidade Líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.
DARNTON, Robert. A questão dos livros: passado, presente e futuro. Tradução de Daniel Pellizzari. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.
ECO, Umberto; CARRIÈRE, Jean‑Claude. Não contem com o fim do livro. Tradução de André Telles. Rio de Janeiro: Record, 2010.
MACHADO, Juremir. A Sociedade Midiocre: Passagem ao Hiperespetacular. Porto Alegre: Sulina, 2012.
#BookTok (TikTok): mais de 175 bilhões de visualizações BookBub Partners Blog.
@jack_edwards: criador literário com presença intensa em BookTok BookBub Partners Blog+15Wikipedia+15The Washington Post+15.
Mychal Threets: bibliotecário que promove livros com vídeos emocionantes e empáticos





