| Iberê + Café + Entardecer |
| Escrito por Lorenzo Ellera |
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“Na memória, o antigo permanece. No passar vertiginoso do tempo, o instante quer ficar. O pintor é o mágico que imobiliza o tempo.” Iberê Camargo (1914-1994) Quem ainda não foi à Fundação Iberê Camargo está em débito com a cidade e com o esplendoroso Iberê. Para quem já foi, sempre vale repetir a dose. Em seu imponente prédio à beira do Guaíba, estão rolando duas imperdíveis exposições:
No quarto andar, até o dia 30 de outubro, o mestre Iberê Camargo toma conta do seu “território” com a mostra A LINHA INCONTORNÁVEL: DESENHOS DE IBERÊ CAMARGO. O site da fundação coloca que,
[...] A linha incontornável: desenhos de Iberê Camargo reúne 110 obras que percorrem mais de meio século da produção do artista. São 99 desenhos (dentre os quais se incluem grafites, bicos de pena, guaches, pastéis, esboços e estudos diversos), sete pinturas, uma gravura e três cadernos de desenho – dos quais estão disponíveis reproduções que podem ser manuseadas pelo público. [...] A seleção que constitui a exposição “A linha incontornável – uma aproximação ao desenho de Iberê Camargo” procura evidenciar que o desenho do artista, mesmo quando pautado pela urgência ou pelo descompromisso, traz a marca que nos acostumamos a admirar em sua pintura e em sua gravura. Encontramos lá o mesmo domínio técnico e formal a serviço da busca apaixonada – insistente, convulsionada.
No terceiro e no segundo andares, acontece, até o dia 28 de agosto, a mostra IBERÊ CAMARGO E O AMBIENTE CULTURAL BRASILEIRO DO PÓS-GUERRA. Com obras modernistas de Iberê e de outros 23 artistas, essa exposição apresenta um tocante recorte da arte não figurativa brasileira. Segundo a Fundação Iberê Camargo,
[...] o objetivo da exposição é mostrar ao público a transformação conceitual pela qual a arte brasileira passou entre as décadas de 1950 e 1970. Embora as obras da mostra revelem o caráter heterogêneo da produção do período, é possível apontar duas correntes principais: a dos concretistas, que projetavam sua obra racionalmente e a priori, e a dos abstracionistas, cujo trabalho final era determinado predominantemente durante o processo de execução.
Para finalizar, não deixe de apreciar um saboroso café na cafeteira PRESS, anexada à Fundação, com uma vista excepcional do lago Guaíba e o seu singular crepúsculo. Sugiro um exótico café que tomei, de nome imperioso: ROMANO. Apesar do pomposo título, sua fórmula é supersimples: café com raspas de limão. Pode parecer estranho, mas é uma delícia latina. Outra opção bacana para desfrutar o pôr do sol nesse aconchegante ambiente é regar o momento com uma taça de vinho, mas te liga que o estabelecimento fecha às 20h.
http://www.iberecamargo.org.br
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